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O corporate venture building, modelo que vai além do investimento tradicional e propõe a criação de novos negócios dentro da própria empresa, ganhou um grande protagonismo no Brasil e passou a ocupar um papel estratégico nas organizações que buscam inovar sem abrir mão da própria identidade e cultura.
Afinal de contas, mais do que só acompanhar o ecossistema de startups de longe, agora, as grandes corporações brasileiras querem participar ativamente da construção de soluções inovadoras, criando laboratórios internos, venture studios e iniciativas capazes de gerar novas fontes de receita.
Neste artigo, você vai entender como funciona o corporate venture building, quais são os principais desafios na implementação desse modelo e por que a integração cultural se tornou um dos fatores mais decisivos para o sucesso (ou fracasso) de um laboratório de inovação dentro das empresas.
Corporate venture building (CVB) é a prática de criar e desenvolver novos negócios de forma estruturada em grandes corporações, tanto por meio de laboratórios internos quanto de empreendedores externos.
Diferente do Corporate Venture Capital (CVC), que investe em startups já existentes, o CVB parte do zero: a corporação constrói o negócio, testa hipóteses, estrutura times e, progressivamente, escala a nova operação.
O modelo combina a agilidade do ecossistema empreendedor com a base de clientes e o conhecimento de mercado de uma empresa já consolidada.
O Brasil é hoje um dos mercados mais ativos no campo do corporate venturing.
Segundo dados da ABVCAP e da TTR Data, o mercado de Venture Capital no país movimentou R$ 9 bilhões em 2024, alta de 17% em relação ao ano anterior.
Além disso, de acordo com um relatório da EY em parceria com a Sling Hub 32% de todo o volume investido em startups brasileiras em 2024 teve participação corporativa, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. Além disso, 79% desses aportes foram direcionados a startups de setores distintos ao da investidora, um sinal claro de que as empresas buscam inovação fora do próprio core business.
A implementação de um corporate venture building exige decisões estruturais que vão muito além da contratação de um time de inovação.
Alguns elementos são decisivos, como:
Uma tendência que se consolida, cada vez mais, no mercado brasileiro é a criação de unidades de venture como entidades legais independentes.
Essa estrutura permite que o laboratório atue com agilidade, sem estar sujeito a cortes de orçamento motivados por mudanças de prioridade da empresa-mãe.
A separação jurídica também facilita a atração de talentos com perfil empreendedor, que tendem a evitar ambientes corporativos hierarquizados.
Um dos principais obstáculos apontados por gestores de CVB é a dificuldade de definir uma tese clara de investimento e inovação. Sem essa bússola, o laboratório corre o risco de dispersar esforços em projetos desconectados da estratégia. Ou, no extremo oposto, de replicar o que a empresa já faz sem incrementar valor.

A barreira mais subestimada no corporate venture building não é tecnológica nem financeira, é cultural. Incorporar uma mentalidade empreendedora em uma organização acostumada a processos estruturados exige mudanças profundas na forma como as equipes lidam com risco, erro e velocidade.
Executivos que lideram laboratórios de inovação relatam um conflito recorrente: a startup interna precisa pivotar rápido, testar hipóteses e aceitar que nem todo projeto vai escalar. A empresa-mãe, por sua vez, opera com horizontes de planejamento mais longos e métricas de retorno tradicionais.
Conciliar essas duas lógicas é o trabalho mais delicado da liderança de um CVB.
Mas, os modelos híbridos têm se mostrado eficazes nesse contexto.
Algumas corporações brasileiras estão combinando estratégias de venture building com a abordagem de venture-client; em que a empresa atua como primeiro cliente da startup interna, oferecendo receita e validação de mercado sem a necessidade de estruturar uma nova entidade legal imediatamente.
Essa flexibilidade reduz a resistência interna e acelera os primeiros resultados.
O executivo que lidera um laboratório de inovação corporativa precisa transitar com segurança entre dois mundos. Primeiro, o da corporação, com suas demandas por previsibilidade e escala. Segundo, o do ecossistema empreendedor, com sua cultura de experimentação e tolerância ao risco.
E, diferentemente do que muitos acreditam, essa dupla fluência não é intuitiva; ela se desenvolve. Programas de formação que combinam gestão estratégica, empreendedorismo e inovação digital têm sido a trilha escolhida por profissionais que querem assumir ou se consolidar nesse papel.
Mais do que conhecimento técnico, o que diferencia quem tem sucesso nessa posição é a capacidade de construir pontes entre times de cultura diferente, objetivos de curto e longo prazo e a segurança que os acionistas exigem.
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