No dia 20 de janeiro O governo Obama comemorou seu primeiro aniversário.
Como vimos, durante este período, não aconteceu um fracasso, como praguejava a direita americana, que mostrava o Obama como um socialista que queria um Estado controlando toda a economia. Nem ocorreu a grande mudança que a esquerda liberal acreditava, isto é: fim da guerra do Iraque e Afeganistão, fim da prisão de Guantânamo, super-regulação do sistema financeiro, grandes mudanças na política ambiental, etc….
O primeiro ano do governo Obama foi determinado pela urgência no controle da pior crise financeira depois da década de 30. A necessidade de estancar a sangria do sistema financeiro, com injeção de centenas de bilhões de dólares no mercado, a compra de parte das ações de bancos importantes como o Citicorp e a companhia de seguros AIG. No campo da reforma do sistema de saúde, o governo conseguiu aprovar um projeto no Senado e outro na Câmara, que ainda dependem de uma conciliação entre eles. Estes projetos buscam estender o sistema de saúde para os cerca de 15% da população, que não conta com nenhuma cobertura.
Na área internacional, o governo Obama começou a reduzir a presença americana no Iraque e a reforçar a presença no Afeganistão e Paquistão (base da Al Qaeda). De alguma forma conseguiu reduzir a pressão armamentista da Coréia do Norte. Quanto à América Latina, não houve grandes avanços nas relações comerciais. Em relação ao Oriente Médio, também não houve avanços significativos.
Embora a situação da economia americana já comece a mostrar seus primeiros sinais de recuperação, a situação do emprego ainda continua ruim. Isto é natural: primeiro as empresas buscam esgotar sua capacidade produtiva com o uso do atual quadro de funcionários, para depois começarem a contratar mais pessoas. No segundo semestre de 2010 a situação do emprego nos Estados Unidos começará a melhorar. Agora, no entanto, o presidente Obama está no seu pior momento: Por um lado teve que gastar uma montanha de dinheiro para socorrer o mercado financeiro (medida impopular) e por outro o americano médio continua sem emprego (situação mais impopular ainda).
Mas, assim como em um navio, entre o comando de mudança de direção e a própria mudança de direção, vai um tempo (há uma inércia). Porém, quando o comando já foi dado, é certo que o navio vai obedecer e mudar de direção. A popularidade de Obama deverá começar a melhorar no segundo semestre deste ano. O problema é agüentar até lá. Na semana passada o partido democrata perdeu uma eleição certa para Senador em Massachussetts. Com isso o governo Obama perdeu a maioria qualificada que tinha no Senado, o que dificulta a consolidação da reforma da saúde no Congresso. A recondução de Bernanke para o FED ficou comprometida e por aí vai….
Se precipitaram os que viam em Obama um demagogo inexperiente, também precipitaram aqueles que o viam como um revolucionário reformador. Além de Obama não ser nenhuma coisa nem outra, o próprio sistema político americano também não permitiria tais excessos.
Mesmo com todos os problemas enfrentados, ou justamente por isso, é que podemos dizer que o primeiro ano de Obama foi bastante bom. Espero que os próximos anos sejam melhores ainda: O mundo precisa disso!