Perigo nas Contas Externas
O Balanço de Pagamentos é o registro contábil de todas as transações que um país faz com o resto do mundo. Todo recurso que entra é registrado como positivo e todo o recurso que sai é registrado como negativo.
De um lado são registradas as transações com mercadorias e serviços (balanço de transações corrente) e de outro as transações com investimentos diretos e aplicações no mercado financeiro (balanço de capitais).
Quando o resultado em conta-corrente fica negativo (déficit), para fechar as contas é necessário que o resultado do balanço de capitais compense este déficit. O resultado do balanço de capitais depende dos investimentos diretos estrangeiros (investimento produtivos de longo prazo) e dos investimentos especulativos (investimento em bolsa e títulos da dívida pública, de curtíssimo prazo). Se o déficit em conta-corrente for coberto pelo superávit em investimentos estrangeiros diretos, tudo bem. Mas se a cobertura deste déficit depender dos investimentos especulativos estrangeiros, então é sinal que as contas externas do país estão mais vulneráveis. O capital especulativo, assim como o entra, pode sair a qualquer momento. Além do mais, quando o país passa a depender do capital especulativo para fechar suas contas externas, o mercado começa a desconfiar e passa a exigir uma remuneração maior para suas aplicações no país.
A partir de janeiro deste ano, o déficit em conta-corrente acumulado em 12 meses, do Brasil, passou a superar o superávit em investimento direto estrangeiro, ou seja, o país começou a depender do investimento especulativo estrangeiro para zerar o Balanço de Pagamentos.
É verdade que temos um bom volume de reservas em moedas estrangeiras (cerca de 243 bilhões de dólares) para fazer frente a uma saída dos investimentos especulativos estrangeiros do país. Mas seria importante que não houvesse necessidade de mexer nestas reservas.
Também é verdade que, quando o balanço de pagamentos ficar negativo, o dólar vai se valorizar frente ao real, facilitando as exportações e dificultando as importações, situação que levará a corrigir o déficit do mesmo balanço de pagamentos. Isto, porém, demanda tempo, uma vez que nenhuma empresa consegue exportar do dia para a noite.
Em suma: O governo precisa tomar medidas para corrigir o excesso de déficit em conta-corrente.
As possíveis medidas que poderiam ser tomadas podemos discutir na próxima postagem deste blog.