O Limite de um Modelo
Se fosse possível resumir o primeiro governo Lula em um só termo, poderíamos dizer que o termo seria “Choque de Confiança”.
O tripé: ajuste fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante, foi mantido e inclusive aprofundado.
Havia necessidade, então, de mostrar ao mercado que o governo do PT e aliados não iria praticar nenhuma aventura, pelo menos no campo econômico.
Para definir o segundo governo Lula poderíamos usar o termo “Choque de Expansão”.
A expansão dos recursos destinados aos programas de transferência de renda, aos reajustes do funcionalismo e aos sindicatos e associações da sociedade civil, além do aumento do volume de crédito para os consumidores e para as empresas, sobretudo do BNDES, criaram uma situação de quase unanimidade em relação ao governo. O governo conseguiu contentar a quase todos.
Para o próximo governo, no entanto, este modelo de expansão vigente no segundo governo Lula, não tem como continuar.
Sem aumento da taxa de investimentos públicos e privados não é possível manter o atual ritmo de crescimento da economia e de aumento de gastos do governo federal. Independente de quem venha a ser Presidente da República, o modelo econômico de expansão via aumento de gastos do governo não será mais sustentável. Podemos dizer que o modelo se esgotou.
O novo governo vai precisar realizar um forte ajuste fiscal para conseguir gerar recursos para investimentos necessários à expansão da oferta de bens e serviços, a fim de garantir crescimento do PIB sem aumento da inflação.
Por se tratar de um período eleitoral, nenhum candidato (sobretudo a candidata da situação) deixou claro em seu programa de governo a necessidade de se cortar gastos ordinários. Mas não tenham dúvidas. Mesmo Dilma Rousseff, se eleita, terá que afiar a tesoura e cortar gastos.