Quando fui convidado para escrever neste blog sobre Marketing, não tive dúvidas sobre como seria este primeiro post. Ele deve, primeiro, trazer a reflexão sobre o que é o Marketing e qual é o seu papel nesta nova economia, principalmente após o ano tempestuoso de 2009 que mostrou como o crescimento de empresas pela simples busca de altos lucros e resultados a qualquer custo em curto prazo podem não ser compatíveis com os movimentos econômicos vigentes, arruinando empresas centenárias e comprometendo a saúde econômica mundial. Em segundo lugar, mas não menos importante, este texto deve desmistificar conceitos de que o Marketing é um departamento ou uma simples área do business responsável pela criação dos produtos, divulgação e vendas. Não é apenas isso e vou exemplificar.
Imaginem um empreendedor na fase de pensar em um novo negócio ou uma nova empresa: é grande a probabilidade de ele conhecer a área de atuação, a demanda, os concorrentes, as tendências e os próximos passos. Atualmente ninguém arrisca o capital sem o mínimo de conhecimento, não é mesmo? Quando ele toma decisões sobre o que fazer, onde vender, como promover e qual o valor que será vendido, ele já está fazendo Marketing. Isto é, mesmo sem a empresa existir ou o projeto do novo negócio estar no papel, o Marketing já está presente e vai influenciar todo o restante do processo. Com isso, pretendo mostrar que as estratégias de médio e longo prazos da empresa e os aspectos táticos ligados a finanças, operações, recursos humanos, logística, etc, são resultantes de decisões de Marketing.
Imaginem que este empreendendor cria um produto completamente inovador e que supre uma necessidade latente (e muitas vezes desconhecida) das pessoas. Quais seriam os possíveis próximos passos dele? Identificar um local para fabricar com estrutura de equipamentos e pessoas, ter boas soluções para entregar o produto nas lojas e fazer com que as pessoas saibam que o produto existe, com comunicação, propaganda, internet, shows, entre outras estratégias. Depois, há os esforços de vendas, avaliação e atendimento ao cliente para que saiba o que deve ser melhorado completando o ciclo normal de todos os negócios profissionais. Nota-se nesta pequena história que o Marketing iniciou o processo, apoiou sua execução e ainda alimentou-se dos resultados para aprimorar futuros projetos. Como se vê, o Marketing está envolvido em todos os aspectos da gestão, influenciando-os e sendo influenciado por eles. É uma constante troca que deve propiciar a continuidade da empresa e dos seus negócios.
Nesta hora é que volto à primeira reflexão proposta no início do texto e arrisco afirmar que não se trata mais de apenas dar continuidade à empresa e sim, fazer com que ela tenha participação ativa e positiva no ambiente em que atua, ganhando, é claro, com isso. Não basta a empresa crescer e prosperar se não há uma retribuição à sociedade e ao meio ambiente de forma virtuosa – do contrário, a empresa morrerá.
Ter valores positivos e honestos, visão crítica de futuro, saber quando e quanto crescer e também quando diminuir o ritmo para manter-se saudável por mais tempo e não comprometer o mercado, estar preparado para as dificuldades e ser sustentável da melhor maneira: estes são pré-requisitos para as empresas que pretendem manter seus negócios nesta economia moderna, “pós-2009″. E, novamente, cabe ao Marketing apoiar a empresa e a sua Gestão na busca por estes pré-requisitos e por melhores caminhos para a perpetuidade.
*Sobre visão de longo prazo, futuro, valores e preocupação sócio-ambiental, sugiro que leiam a entrevista com o Sr. Leontino Balbo Junior, Diretor-Presidente da Native na revista Época Negócios, Agosto de 2009 – Ed. Globo. Clique aqui.