A alta da Selic e a necessidade de investimentos
O Copom resolveu, por unanimidade, elevar a meta da taxa Selic de 8,75% para 9,5% ao ano. Esta deve ter sido a primeira de uma série de aumentos que virá nas próximas reuniões. Acredita-se que, até o final do ano, a taxa Selic chegue a 11%.
Muitos vêem estes movimentos de elevação da taxa básica de juros como um retrocesso em relação às reduções conquistadas anteriormente. Porém, devido ao aquecimento do consumo, e o desequilíbrio entre a oferta e a demanda, há uma real ameaça de descontrole dos preços.
Invés de criticar o Banco Central, o que devemos fazer é nos perguntar por que, quando a economia acelera, sempre é necessário aumentar a taxa de juros.
Por que o Brasil está condenado a crescer pouco? Por que nossa taxa de juros é tão superior à média dos países do G20?
A resposta é: Porque nossa taxa de investimentos é muito baixa. Com pouco investimento, qualquer aumento da demanda pressiona os preços, então o BC precisa aumentar as taxas de juros para conter a demanda. Porém, com juros altos o custo financeiro dos investimentos aumenta e conseqüentemente a taxa de investimentos tende a cair. Entramos num círculo vicioso: crescimento leva a inflação, inflação leva a aumento dos juros, aumento dos juros leva a queda dos investimentos, queda dos investimentos impede aquecimento da economia sem inflação.
Como podemos sair deste círculo vicioso e entrar num círculo virtuoso do tipo: mais investimentos, mais oferta de bens e serviços, crescimento sem inflação, queda dos juros e mais investimentos?
O movimento tem que começar pelo ajuste fiscal. Se o setor público zerar o déficit nominal, isto é: gastar só aquilo que arrecada, incluindo os custos do serviço da dívida pública. Assim parte dos recursos que hoje são gastos para o serviço da dívida pode ser utilizado para investimentos. Além disso, se houver um compromisso do governo com déficit nominal zero, os setores privado interno e externo passam a ter mais confiança no crescimento sustentado da economia brasileira e tendem a aumentar seus investimentos no país.
O próximo governo federal deve começar com um compromisso de forte ajuste fiscal. Isto não significa redução com os gastos sociais, mas redução dos gastos supérfluos.
Até agora foi possível chegar a taxa de juros básicos de 8,75% ao ano. Para levar a taxa básica a níveis civilizados, isto é: juros reais em torno de 1% a 2% ao ano, é necessário virar a página.
O atual governo fez muito, mas esgotou seus esforços.
Agora precisamos avançar mais. A população brasileira sabe que é possível avançar mais, sem perder aquilo que já foi conquistado.
Ameaçar os eleitores com a possibilidade de fim das conquistas já alcançadas é puro terrorismo eleitoral, do tipo que assistimos nas eleições de 2002, quando a Regina Duarte dizia que tinha medo do Lula. Na época, a esperança venceu o medo. Agora, o avanço deve vencer o medo.