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artigo sobre as eleições 2010

fevereiro 24th, 2010 1 Comentário

Reproduzo na íntegra um artigo do sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, publicado no Correio Brasiliense de 24/02/2010.

Este artigo trata da eleição presidencial deste ano e coloca uma importante visão sobre avanço da democracia brasileira. Segundo o autor, pela primeira vez na história, teremos uma eleição entre modelos de governar (do PSDB e do PT, os dois principais partidos brasileiros).

Se de fato for assim, então teremos um bom debate pela frente.

Eis o artigo:

À medida que a eleição presidencial vai se aproximando, fica mais claro o projeto de Lula para vencê-la. A menos de oito meses de sua realização, é mais fácil (talvez até para o próprio presidente) entender aonde ele quer chegar.

A ideia de fazer da eleição de 2010 um plebiscito foi explicitada por Lula ainda em 2007, quando anunciou que queria que nela o eleitorado comparasse seu governo ao de Fernando Henrique. Quem achasse que seus oito anos foram melhores, que votasse na candidatura governista. Quem preferisse os de seu antecessor, na oposição.

A bipolaridade que é premissa desse projeto não foi inventada por Lula. De um lado, é assim que o sistema partidário brasileiro se estruturou nos últimos anos. De outro, o processo político concreto que vivemos sinalizou desde muito cedo que as eleições de 2010 repetiriam o padrão.

A todos sempre pareceu que o cenário mais provável seria uma nova confrontação PT-PSDB, apenas havendo dúvida se logo no primeiro turno ou no segundo.

A candidatura situacionista esteve em disputa, pois Ciro Gomes reunia intenções de voto suficientes para permanecer como alternativa aos nomes do PT, nenhum com boa largada nas pesquisas. Mas as perspectivas de crescimento de quem quer que fosse o candidato do PT eram maiores.

Tampouco surgiu opção ao PSDB no campo oposicionista. Dos partidos que remanesceram com ele, o DEM seria o único que poderia pensar em um nome, mas nunca se movimentou nessa direção e hoje nem poderia mais pensar no assunto.

Seria, portanto, tucana a candidatura, e apenas uma. Quanto a quem, tudo apontava para Serra, mesmo enquanto Aécio permaneceu na disputa.

Para Lula, o fato de as oposições só terem um nome sugeria uma decisão em primeiro turno, que se tornou mais possível quando Marina, depois de provocar algum alvoroço no lançamento de sua candidatura, estacionou nas pesquisas.

Não seria muito diferente com qualquer nome tucano, mas Serra facilitava o confronto plebiscitário. Se Aécio fosse candidato, seria mais complicado propor a comparação com FHC, pois o governador de São Paulo integrou o governo passado e foi adversário do próprio Lula em 2002.

Mas qual seria o conteúdo do plebiscito? Ninguém melhor que Lula sabia que não seria apenas uma briga de números, a respeito de indicadores de desempenho governamental. Nem no Brasil, nem em qualquer lugar do mundo se vencem eleições assim.

Outra coisa que o plebiscito não poderia ser seria uma escolha entre Lula e FHC, para que os eleitores dissessem de quem gostam mais.

A resposta a essa pergunta já é conhecida e o vencedor é o atual presidente. Não bastassem as comparações da aprovação de ambos, várias pesquisas pediram às pessoas que fizessem a comparação direta: Lula sempre ficou na frente, com larga vantagem.

O relevante, contudo, é que essa escolha não conduz ao voto em Dilma, pois é perfeitamente possível que alguém prefira Lula e ache que Serra é melhor candidato. Não é esse plebiscito, portanto, que o presidente busca.

Goste-se ou não de Lula, é preciso reconhecer que o que ele está propondo é um novo modelo de eleição, que só é possível agora.

Hoje, depois de oito anos de PT no governo, pode-se fazer a comparação entre ele e o PSDB, não em torno de nomes ou pessoas, mas do que cada “lado” representa.

De fazer um balanço das coisas em que cada um acertou e errou quando teve a oportunidade de liderar uma coalizão para governar e pôr em prática suas propostas e sua visão para o Brasil.

Usando as palavras que ele usaria, o plebiscito que Lula quer não é entre ele e FHC, mas entre o que “nós” (o PT) somos e fazemos e o que “eles” (o PSDB) são e fazem.

Se acontecer como ele pensa, seria a primeira eleição genuinamente partidária de nossa história política, em vez das disputas personalistas que sempre tivemos.

Não importa quem vença. O importante é que teremos, de um lado, um bom e legítimo candidato do PSDB (paulista, ex-intelectual, integrante do governo FHC) e, de outro, uma boa e legítima candidata do PT (técnica do setor público, ex-militante de esquerda, integrante do governo Lula).

Sem a combinação de ilusão e medo (como a que deu a vitória a Collor), sem mágicas (como a do Real, que elegeu Fernando Henrique), sem carismas (como o de Lula).

Não era isso que queríamos, uma política onde os partidos são mais importantes que as pessoas?

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Visita ao INSEAD

fevereiro 10th, 2010 2 Comentários

Desde que criamos a Loite e a área de carreira, que presta serviços tanto para alunos de instituições como a Trevisan, quanto para alunos como pessoa física, temos a grande preocupação de trazer para todos aqueles que procuram por nós um serviço de alta qualidade. Para isso visitamos, além de escolas brasileiras, escolas internacionais, que são benchmark na área de Career Services. Em 2008 visitamos Yale, em 2009 Stanford e University of Califórnia/ Berkeley, e acabo de voltar do INSEAD, na França.

O INSEAD é uma das melhores escolas de pós graduação no mundo, e oferece Executive Education, MBA, Executive MBA e PhD. Por ser esta minha visita mais recente, e por eu ter ficado bastante impressionada com a escola e a cidade onde ela fica (Fontainebleau – 40 min de Paris), gostaria de dividir alguns pontos com vocês:

- Ranking 2010 dos 20 melhores cursos de MBA, de acordo com o Financial Times

School Name

Country

1 London Business School U.K.
2 University of Pennsylvania: Wharton U.S.A.
3 Harvard Business School U.S.A.
4 Stanford University GSB U.S.A.
5 Insead France / Singapore
6 Columbia Business School U.S.A.
6 IE Business School Spain
8 MIT Sloan School of Management U.S.A.
9 University of Chicago: Booth U.S.A.
9 Hong Kong UST Business School China
11 Iese Business School Spain
12 Indian School of Business India
13 New York University: Stern U.S.A.
13 Dartmouth College: Tuck U.S.A.
15 IMD Switzerland
16 Yale School of Management U.S.A.
16 University of Oxford: Saïd U.K.
18 HEC Paris France
19 Esade Business School Spain
20 Duke University: Fuqua U.S.A.

-       Principalmente para aqueles que gostariam de fazer um MBA no exterior, mas não querem que tenha duração de 2 anos, como é a maioria, o INSEAD oferece um MBA de um ano, excelente;

-       O ambiente é muito acolhedor, e mistura contruções muito antigas, integradas com novas e modernas instalações;

-       O investimento anual é estimado em 54 mil euros, para gastos relativos ao programa, e 2 mil euros, por mês, para gastos com alimentação, moradia, transporte, etc;

-       Em 2008 31% dos alunos tiveram seu MBA financiado pelo próprio INSEAD, por suas empresas, ou por instituições como a Fundação Estudar (www.estudar.org.br);

-       A média do salário anual da turma 2008 foi de 77.500 euros, e sign-on bônus com média de 17.500 euros;

-       Para ser aceito no INSEAD, tanto na França quanto em Singapura, é necessário ter inglês fluente, já que todas as aulas são neste idioma;

-       É possível fazer um intercâmbio entre os dois países durante o curso;

-       Dados turma 2009:

  • 41% da turma tinha entre 26 e 28 anos e 38% entre 29 e 31 anos;
  • 71% eram homens;
  • 81 países representados;
  • Média de pontos no GMAT = 704
  • 6% da turma tinha o português como lingual maternal
  • 35% da turma tinha de 3 a 5 anos de experiência, e 33% de 5 a 7 anos.

O mais importante aqui é saber que, sempre que investimos em nossa educação, estaremos mais preparados para aceitar e encarar novas oportunidades e desafios em nossa carreira.

Seja no Brasil ou no exterior, procure sempre manter-se atualizado!

Fernanda Lopes de Macedo Thees

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Dica de livro: Anatomia do Fascismo

fevereiro 9th, 2010 0 Comentários

O livro, Anatomia do Fascismo, do autor americano, Robert Paxton, mostra, de maneira muito clara, como os movimentos fascistas europeus nasceram, cresceram e chegaram a dominar o cenário político da primeira metade do século XX.

Paxton explica que Hitler e Mussolini foram eleitos democraticamente, e não teriam conseguido manterem-se no poder se não tivessem o apoio de uma parcela significativa das populações alemã e italiana.

O livro é muito bom para alertar a sociedade moderna sobre os perigos de um governo autoritário.

Segundo Paxton, o germe do autoritarismo está inoculado em todas as sociedades, até nas mais avançadas.

Este germe aflora quando se cria o caldo de cultura para isto.

Se os setores mais democráticos não conseguirem dar respostas à demanda da população, ela pode deixar-se iludir por uma proposta autoritária.

Sendo assim, é necessário estarmos sempre atentos a propostas autoritárias dos governos eleitos democraticamente.

Tentativas de cercear a liberdade de imprensa, a liberdade de opinião, a liberdade religiosa, etc… devem ser imediatamente combatida, sob pena de entramos para um caminho sem retorno.  

A democracia direta, via plebiscitos, é o instrumento mais utilizado pelos regimes autoritários. Por esta via é possível aprovar qualquer coisa, desde que a pergunta feita no plebiscito seja elaborada de maneira capciosa.

Não nos iludamos: A liberdade e a democracia não caem do céu. É preciso construir suas bases e dar manutenção aos valores que as sustentam.É necessária uma luta contínua. Isto vale para qualquer país, inclusive o Brasil.

Quem tenta governar desprezando a intermediação do Congresso. Isto é: buscando um diálogo cotidiano direto com o povo, pode parecer muito democrático, no entanto, este é o caminho que leva direto ao autoritarismo. A história mostrou que tanto Hitler, como Mussolini eram extremamente populares e sempre buscavam desmoralizar os meios de comunicação e os políticos. Começaram desmoralizando estes setores, e acabaram desmoralizando o próprio Estado de Direito e a própria população.

Livro: Anatomia do Fascismo

Autor: Robert Paxton

Editora: Paz e Terra

Preço: R$ 52,00 na Livraria Cultura

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Índia: Um Documentário e Três Livros.

fevereiro 9th, 2010 0 Comentários

Para conhecer um pouco mais sobre a fascinante História da Índia indico aos leitores um excelente documentário da BBC de Londres, que está à venda nas bancas de jornais.

O documentário é dividido em 6 capítulos que conta a história desde o início da ocupação humana na Índia até os dias atuais.

O que mais chama a atenção no documentário é a capacidade do país asiático de manter uma unidade em meio a uma imensa diversidade cultural, religiosa, étnica e lingüística. Vale a pena assistir para entender um pouco dos valores de um povo que ainda não foi contaminado pelo consumismo típico dos países ocidentais.

Documentário: História da Índia. Abril: Revista Vida Simples.

Também recomendo a leitura de pelo menos um dos seguintes livros:

-         Índia: da miséria à potência. Patrícia Campos Mello. Editora Planeta

-         The Argumentative Indian. Amartya Sen. Penguin Books

-         In Spite of the Gods. Edward Luce. Doubleday.

O livro mais interessante é o do Amartya Sen. O autor mostra que o indiano é, sobretudo, um povo argumentativo, que adora discutir pelo prazer de discutir. É um povo muito racional, que forneceu os maiores matemáticos do mundo. O indiano gosta de falar. É eloqüente (sabe argumentar muito bem) e por vezes chega a ser prolixo (fala demais). Sen também mostra, ao contrário do senso comum, que a Índia é um país muito secular (sabe separar muito bem a religião dos negócios do Estado).

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O céu turbulento da demissão

fevereiro 8th, 2010 0 Comentários

Assisti ontem ao filme Amor Sem Escalas. Em que pese a tradução infeliz do título (do original “Up in the Air”), se trata de um excelente filme, que traz de forma inteligente uma série de questões que nos aflige neste início de século: carreira profissional x vida pessoal, relacionamentos fugazes x estabilidade, crise do emprego, ascensão da mulher no mercado de trabalho, impacto das novas tecnologias no trabalho.

O filme se baseia na rotina de Ryan (George Clooney), um executivo sênior de uma empresa especializada em realizar demissões para seus clientes. Ele viaja o país para cumprir essa missão ingrata para a maioria das pessoas, mas que ele consegue lidar com tranquilidade e objetividade por vezes assustadoras.

O processo de demitir alguém é sem dúvida um dos mais difíceis da carreira de um executivo. Ainda que um profissional experiente possa ter realizado várias ao longo da sua vida, tenho certeza de que cada demissão continua sendo um momento extremamente estressante e desagradável. Mesmo tendo sido resultado de uma decisão estudada, fruto de uma avaliação profunda de desempenho daquele profissional, o ato de demitir é por definição doloroso e complexo.

Tão difícil quanto necessário em vários momentos, o processo de demissão deve levar em conta dois princípios básicos:

  • Objetividade: por ser um momento extremamente sensível para as duas pessoas, o mais indicado é ser direto, sem rodeios e com justificativas claras.
  • Sinceridade: citar um motivo aparentemente mais fácil de explicar (“corte de custos”, “reestruturação”, etc.) em vez daquele real só vai atrapalhar ainda mais a carreira do demitido; você pode transformar esse momento difícil em uma oportunidade de feed back sincero, contribuindo para o futuro profissional da pessoa.

A tendência natural do ser humano é evitar ou adiar um acontecimento desagradável. Como profissionais, nos deparamos com esse tipo de situação a todo o momento, e o melhor é encará-la e enfrentá-la da melhor forma possível. Ao avaliar profundamente a real necessidade de demitir um profissinal e ao fazer o processo pessoalmente por quem o contratou, o executivo está garantindo o aspecto mais fundamental que um ato desse deve envolver: respeito.
Fernando Trevisan

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Eleições 2010: Duas estratégias muito diferentes

fevereiro 3rd, 2010 1 Comentário

Pelas declarações dos dois principais prováveis candidatos à presidência da república e de seus apoiadores, já podemos vislumbrar qual será a estratégia de cada um durante a campanha que se inicia em julho.

Pelo lado do governo, Dilma Rousseff e o presidente Lula não cansam de falar que a eleição será um plebiscito entre duas maneiras diferentes de governar: a do governo atual e a do governo FHC. Segundo eles, o atual governo apresenta resultados muito superiores ao do governo anterior. No final do governo FHC o Brasil devia para o FMI, atualmente o Brasil empresta dinheiro ao FMI. Antes o crescimento do PIB foi muito pequeno, a taxa de desemprego era alta, o salário-mínimo era muito baixo, e a situação da população mais pobre era muito ruim. Agora o crescimento do PIB é muito maior, a taxa de desemprego é muito menor, o salário-mínimo real quase dobrou e a situação dos mais pobres melhorou muito. Sendo assim é evidente que o atual governo teve um desempenho muito superior ao do governo passado. Logo, o povo deve votar em Dilma, que representa a continuidade do atual governo e não em Serra, que representa a volta ao governo anterior.

Pelo lado da oposição, Serra afirma que o Brasil vem avançando desde o início do Plano Real. O atual governo não teria mudado de rumo, apenas aprofundou os fundamentos construídos no governo anterior. O governo Lula não mudou a Lei de Responsabilidade Fiscal, nem o Sistema de Metas de Inflação. O Modelo de câmbio flutuante e de superávits primários foi mantido. Apesar de criticar as privatizações ocorridas no governo FHC, o atual governo não estatizou nenhuma das empresas privatizadas. Os resultados positivos do atual governo se devem ao período de crescimento da economia internacional, que permitiu ao Brasil acumular reserva suficientes para fazer frente à crise financeira do ano passado. Para Serra, depois de o país passar pelo comando de dois líderes políticos, com história e curriculum de estadistas, como FHC e Lula, é chegada a hora de passar o bastão para quem tem porte, experiência e história suficiente para substituí-los. O Brasil está caminhando bem porque foi conduzido por líderes de qualidade e somente continuará indo bem se continuar a ser conduzido por um líder a altura dos anteriores. E este líder seria necessariamente José Serra e não Dilma Rousseff, que não tem nenhuma experiência administrativa e nunca foi eleita a cargo algum.

Como vimos são duas estratégias bem diferentes. Não é possível dizer qual será a vencedora. Isto só saberemos após as eleições de outubro.

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Cuidado com os GIPSI

fevereiro 2nd, 2010 0 Comentários

Cuidado com os GIPSI (Greece, Italy, Portugal, Spain and Ireland)

Cinco países da Zona do Euro entraram no radar das agências de risco. Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda e Itália, apresentam indicadores macroeconômicos bastante preocupantes. O déficit público em 2009 (diferença entre arrecadação e gastos do setor público), a dívida líquida do setor pública no final do ano e o resultado anual em conta corrente de 2009 (balanço de todos os recursos em moeda estrangeira que entraram e saíram do país durante o ano, exceto o fluxo de capital em investimentos diretos e aplicações no mercado financeiro) destes países atingiram uma marca considerada limite. Além destes números, o país começa a ser considerado de alto risco. Isto é: a possibilidade de dar calote na dívida externa passa a ser grande. A tabela seguinte mostra os números dos cinco países e dos Estados Unidos, Japão e Brasil.

País Déficit Público/PIB Dívida Líquida/PIB Resultado C.C./PIB
Grécia 12,4% 82% -10,0%
Espanha 12,3% 43% -6,0%
Portugal 6,9% 56% -9,9%
Itália 5,6% 113% -2,5%
Irlanda 12,2% 50% -1,7%
Estados Unidos 13,6% 62% -2,8%
Japão 10,5% 104% 1,5%
Brasil 3,2% 44% -1,0%

 

Embora os Estados Unidos e o Japão também apresentem números preocupantes, estes países têm capacidade de honrar seus compromissos sem grandes dificuldades. O Japão tem reservas que superam 1 trilhão de dólares e os Estados Unidos tem grande capacidade de financiamento internacional (todos aceitam comprar títulos do governo americano) e também tem a vantagem de emitir dólares (moeda aceita internacionalmente).

Como os 5 países que estão na berlinda já não podem desvalorizar suas moedas (para aumentar suas exportações e reduzir as importações), então, para equacionar o problema  será necessário implantar uma política fiscal rigorosa (aumentar os impostos e reduzir os gastos públicos) e também será necessário recorrer à ajuda da França e Alemanha (principais países da zona do euro). Esta situação freará o crescimento da economia européia em 2010 e possivelmente em 2011.

Vários países do leste europeu e também da Ásia, como Albânia, Bósnia, Bulgária, Croácia, Macedônia, Montenegro, Romênia, Servia, Armênia, Bielo-rússia, Geórgia e Moldávia, também estão em situação crítica. Estes países, no entanto, não têm o poder de gerar um efeito cascata na economia internacional.

O problema dos GIPSI é a primeira grande herança da crise financeira internacional do ano passado. Os paises em desenvolvimento, que não estão em situação tão delicada, podem aproveitar a oportunidade para galgar posições na economia mundial. Os próximos 5 anos podem mudar a posição econômica dos países em desenvolvimento. Para o Brasil a situação é bastante favorável: nos próximos anos a distância entre nós e os países desenvolvidos ficará cada vez menor.

As oportunidades aparecem para aqueles que se prepararam para aproveitá-las. O Brasil fez boa parte da sua lição de casa e se preparou para aproveitar o momento.

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Um ano de Obama

janeiro 26th, 2010 0 Comentários

No dia 20 de janeiro O governo Obama comemorou seu primeiro aniversário.

Como vimos, durante este período, não aconteceu um fracasso, como praguejava a direita americana, que mostrava o Obama como um socialista que queria um Estado controlando toda a economia. Nem ocorreu a grande mudança que a esquerda liberal acreditava, isto é: fim da guerra do Iraque e Afeganistão, fim da prisão de Guantânamo, super-regulação do sistema financeiro, grandes mudanças na política ambiental, etc….

O primeiro ano do governo Obama foi determinado pela urgência no controle da pior crise financeira depois da década de 30. A necessidade de estancar a sangria do sistema financeiro, com injeção de centenas de bilhões de dólares no mercado, a compra de parte das ações de bancos importantes como o Citicorp e a companhia de seguros AIG. No campo da reforma do sistema de saúde, o governo conseguiu aprovar um projeto no Senado e outro na Câmara, que ainda dependem de uma conciliação entre eles. Estes projetos buscam estender o sistema de saúde para os cerca de 15% da população, que não conta com nenhuma cobertura.

Na área internacional, o governo Obama começou a reduzir a presença americana no Iraque e a reforçar a presença no Afeganistão e Paquistão (base da Al Qaeda). De alguma forma conseguiu reduzir a pressão armamentista da Coréia do Norte. Quanto à América Latina, não houve grandes avanços nas relações comerciais. Em relação ao Oriente Médio, também não houve avanços significativos.

Embora a situação da economia americana já comece a mostrar seus primeiros sinais de recuperação, a situação do emprego ainda continua ruim. Isto é natural: primeiro as empresas buscam esgotar sua capacidade produtiva com o uso do atual quadro de funcionários, para depois começarem a contratar mais pessoas. No segundo semestre de 2010 a situação do emprego nos Estados Unidos começará a melhorar. Agora, no entanto, o presidente Obama está no seu pior momento: Por um lado teve que gastar uma montanha de dinheiro para socorrer o mercado financeiro (medida impopular) e por outro o americano médio continua sem emprego (situação mais impopular ainda).    

Mas, assim como em um navio, entre o comando de mudança de direção e a própria mudança de direção, vai um tempo (há uma inércia). Porém, quando o comando já foi dado, é certo que o navio vai obedecer e mudar de direção. A popularidade de Obama deverá começar a melhorar no segundo semestre deste ano. O problema é agüentar até lá. Na semana passada o partido democrata perdeu uma eleição certa para Senador em Massachussetts. Com isso o governo Obama perdeu a maioria qualificada que tinha no Senado, o que dificulta a consolidação da reforma da saúde no Congresso. A recondução de Bernanke para o FED ficou comprometida e por aí vai….

Se precipitaram os que viam em Obama um demagogo inexperiente, também precipitaram aqueles que o viam como um revolucionário reformador. Além de Obama não ser nenhuma coisa nem outra, o próprio sistema político americano também não permitiria tais excessos.

Mesmo com todos os problemas enfrentados, ou justamente por isso, é que podemos dizer que o primeiro ano de Obama foi bastante bom. Espero que os próximos anos sejam melhores ainda: O mundo precisa disso!

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Sugestão de Livro

janeiro 26th, 2010 0 Comentários

Título: O Andar do Bêbado: Como o Acaso Determina Nossas Vidas.

Autor: Leonard Mlodinov

Editora: Zahar, 2009.

Preço: Em torno de R$ 35,00

Este livro, cujo título original é: “The Drunk Walking: How Randomness Rules our Lives” do autor americano, descendente de poloneses, Leonard Mlodinov, trata dos princípios que governam o acaso, e de como este acaso pode influenciar em todas as áreas importantes de nossas vidas e na vida de todos. Trata também da forma como tomamos decisões diante da incerteza, e de como estas decisões podem nos levar a caminhos equivocados.

Ao contrário da visão determinista, muito comum desde o surgimento do iluminismo, do cientificismo, etc… (movimentos que pregavam que a ciência seria a luz que tiraria os homens das trevas da ignorância e os tornariam livres e felizes), este livro mostra que, por mais que busquemos conhecer e controlar as variáveis que interferem diariamente em nossas vidas, não poderemos jamais abarcar, senão uma quantidade muito pequena delas. A capacidade humana, por mais desenvolvida que seja, continua a ser muito limitada diante da grandeza da realidade. Isto não quer dizer que não precisemos da ciência. Muito pelo contrário. Talvez por isso é que a ciência passa a ser muito importante. Já que devemos sempre nos defrontar com acontecimentos inesperados, devemos contar com ferramentas que nos permitam dar respostas mais rápidas a estas incertezas.

Além de apresentar uma descrição resumida da história da matemática e outras ciências exatas, o livro mostra muitos exemplos de situações extremamente interessantes, como programas de televisão nos Estados Unidos baseados nos jogos de azar. Programas onde o concorrente pode ganhar milhões ou perder tudo.

Eu acredito que a leitura do livro fará muito bem para os alunos da Trevisan, em consonância com a linha pedagógica inovadora, baseada na inter-disciplinariedade e no contato direto com o mercado de trabalho, seguida pela Escola.

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Marketing para uma Nova Economia

janeiro 22nd, 2010 0 Comentários

Quando fui convidado para escrever neste blog sobre Marketing, não tive dúvidas sobre como seria este primeiro post. Ele deve, primeiro, trazer a reflexão sobre o que é o Marketing e qual é o seu papel nesta nova economia, principalmente após o ano tempestuoso de 2009 que mostrou como o crescimento de empresas pela simples busca de altos lucros e resultados a qualquer custo em curto prazo podem não ser compatíveis com os movimentos econômicos vigentes, arruinando empresas centenárias e comprometendo a saúde econômica mundial. Em segundo lugar, mas não menos importante, este texto deve desmistificar conceitos de que o Marketing é um departamento ou uma simples área do business responsável pela criação dos produtos, divulgação e vendas. Não é apenas isso e vou exemplificar.

Imaginem um empreendedor na fase de pensar em um novo negócio ou uma nova empresa: é grande a probabilidade de ele conhecer a área de atuação, a demanda, os concorrentes, as tendências e os próximos passos. Atualmente ninguém arrisca o capital sem o mínimo de conhecimento, não é mesmo? Quando ele toma decisões sobre o que fazer, onde vender, como promover e qual o valor que será vendido, ele já está fazendo Marketing. Isto é, mesmo sem a empresa existir ou o projeto do novo negócio estar no papel, o Marketing já está presente e vai influenciar todo o restante do processo. Com isso, pretendo mostrar que as estratégias de médio e longo prazos da empresa e os aspectos táticos ligados a finanças, operações, recursos humanos, logística, etc, são resultantes de decisões de Marketing.

Imaginem que este empreendendor cria um produto completamente inovador e que supre uma necessidade latente (e muitas vezes desconhecida) das pessoas.  Quais seriam os possíveis próximos passos dele? Identificar um local para fabricar com estrutura de equipamentos e pessoas, ter boas soluções para entregar o produto nas lojas e fazer com que as pessoas saibam que o produto existe, com comunicação, propaganda, internet, shows, entre outras estratégias. Depois, há os esforços de vendas, avaliação e atendimento ao cliente para que saiba o que deve ser melhorado completando o ciclo normal de todos os negócios profissionais. Nota-se nesta pequena história que o Marketing iniciou o processo, apoiou sua execução e ainda alimentou-se dos resultados para aprimorar futuros projetos. Como se vê, o Marketing está envolvido em todos os aspectos da gestão, influenciando-os e sendo influenciado por eles. É uma constante troca que deve propiciar a  continuidade da empresa e dos seus negócios.

Nesta hora é que volto à primeira reflexão proposta no início do texto e arrisco afirmar que não se trata mais de apenas dar continuidade à empresa e sim, fazer com que ela tenha participação ativa e positiva no ambiente em que atua, ganhando, é claro, com isso. Não basta a empresa crescer e prosperar se não há uma retribuição à sociedade e ao meio ambiente de forma virtuosa – do contrário, a empresa morrerá.

Ter valores positivos e honestos, visão crítica de futuro, saber quando e quanto crescer e também quando diminuir o ritmo para manter-se saudável por mais tempo e não comprometer o mercado, estar preparado para as dificuldades e ser sustentável da melhor maneira: estes são pré-requisitos para as empresas que pretendem manter seus negócios nesta economia moderna, “pós-2009″. E, novamente, cabe ao Marketing apoiar a empresa e a sua Gestão na busca por estes pré-requisitos e por melhores caminhos para a perpetuidade.

 *Sobre visão de longo prazo, futuro, valores e preocupação sócio-ambiental, sugiro que leiam a entrevista com o Sr. Leontino Balbo Junior, Diretor-Presidente da Native na revista Época Negócios, Agosto de 2009 – Ed. Globo. Clique aqui.

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